jogos, nostalgia e literatura
Jun 09, 2026 9:31 am
oi, . tudo bom?
na newsletter de hoje eu falei de joguinhos e de livros e, talvez de nostalgia e arrogância.
novamente, quase nenhuma revisão.
agora, o texto.
ei-lo.
— eu tive poucos computadores até hoje. mas, sempre que pego um computador novo, uma das primeiras coisas que faço é baixar um emulador de super nintendo.
existe um prazer todo especial em emular jogos da nintendo que faz a gente odiar gostar da nintendo e vice-versa.
quando P. ficou maiorzinho e começou a jogar comigo, eventualmente, eu ficava meio incomodado com a limitação pra entender padrões e apertar dois ou três botões ao mesmo tempo. e isso porque ele já tava jogando algumas coisas no celular e bem. mas é engraçado que parece que o jogo antigo acaba oferencendo outras dinâmicas, limitações e possibilidades diferentes dos jogos em aplicativos de celular.
deve ser por isso também que a gente lê os contemporâneos mais rápido, mas os clássicos dão muito trabalho. às vezes, um James Joyce, um Guimarães Rosa, um Dostoiévski exigem de nós uma vivência que a gente ainda não tem — e talvez nunca tenha, embora possamos tentar ter (e falhar). a dinâmica do jogo e da leitura tem diferenças, mas vejo ambas como questões de linguagem.
nesse fim de semana chegou um video game portátil que a avó do P. deu pra ele. vários jogos de NES. 8 bits de alegria. qual não foi a minha surpresa com a dificuldade que eu tive pra jogar Ninja Gaiden 2, Robocop e Donkey Kong (aquele que você é o Mario e o macaco fica jogando o barril pra te matar).
mas aí eu percebi que algumas dinâmicas de Donkey Kong JR (e finalmente descobri de onde vem o macacão do Mario Kart no Super Nintendo) foram reaproveitadas em Donkey Kong 2 (ou O Melhor Donkey Kong) e algumas musiquinhas foram reaproveitadas em Mario World (ou O Melhor Mario).
perceber essa continuidade das coisas também acontece quando vamos lendo os contemporâneos e os clássicos; e tem algo dos video games que talvez devêssemos aderir com mais radicalidade para aproveitar melhor outras obras. tava vendo o HQ sem roteiro falando esses dias que apesar de existir toda uma indústria da nostalgia, parece que o pessoal dos games transita mais livre de juízos de valor entre o antigo e o novo, compreendendo que aquilo que o jogo te apresenta são as possibilidades criativas e técnicas de um determinado momento histórico. ninguém precisa se achamar melhor que ninguém porque zerou Ninja Gaiden 2 do NES ou Dark Souls. é inclusive, possível fazer ambos, nenhum ou apenas um dos dois e ninguém morre por causa disso. são apenas jogos.
ATT, Jv