UM TÍTULO AQUI

Apr 22, 2026 9:31 am

oi, você:


na newsletter de hoje temos:

  1. metáforas esportivas;
  2. quebra de expectativas;
  3. nem 1 (huma) unidade de ensinamento


tardamos e, talvez, não tenhamos falhado. mas aí está mais uma crônica. novamente, sem nem 1 (huma) unidade de revisão ortográfica. qualquer coisa, me denuncia pra Norma Culta.


agora, o texto.


ei-lo.


1

quando eu li o Ensaio Sobre a Cegueira, lá pelas tantas do livro, ficava pensando em como a falta de um sentido poderia ter causado tanto caos. Saramago foi especialmente sagasz quando ele mostrou através das ações mais cotidianas e naturalizadas que quando um sentido básico falta, até as coisas que fazemos por memória muscular e da forma mais automática começam a exigir alguma reflexão, alguma engenharia tem que acontecer para que a ação de fato seja feita.


2

há tempos, tenho tentado tirar um dia da semana pra jogar futebol. a ideia é opor o meu trabalho na sala de aula; esforço físico em vez de mental, conversar menos, em vez das constantes interações com alunos e colegas, e estar fazendo algo que não me exija exatamente eficiência (tem sempre um ou outro maluco que joga a pelada como se fosse final de copa do mundo. pior pra eles).


é claro que me divertir também é importante e ter algum momento da minha semana em que eu não precise pensar em nenhuma das coisas que eu geralmente tenho que pensar o tempo é bom. é um contrassenso real, mas funciona tirar um tempo pra não pensar em nada importante pra estar mais disposto pra pensar em coisas importantes.


3

costumamos ser muito injustos co as limitações. a tendência é vê-las como algo ruim. mas, possivelmente, foram as limitações para se entreter em Yorkshire no século XIX que fizeram com que O Morro dos Ventos Uivantes fosse um livro tão bom, enquanto o excesso de recursos cinematográficos faz com essa nova adaptação que saiu seja tão ruim.


na limitação do espaço entre um marcardor e um atacante é que surge o drible. contraintuivamente, não são os muitos recursos que parece ativar a criatividade.


4

uma coisa que eu tenho detestado em certos textos é a pretensão de querer dizer algo maior. parece algo criativo a se fazer, mas não é. é claro que não é preciso ser radical com isso — metáforas e alegorias sempre terão o seu lugar. mas a repetição constante dessa movimentação pode lesionar o recurso. por isso, essa crônica não vai terminar assim, com uma lição, um ensinamento, uma dica, um sermão; Deus me livre!


o fato é que eu estava jogando bola no sábado e, quando cheguei na linha de fundo, tive que acertar um drible antes de passar a bola. o marcador limitou tanto o meu espaço que caí em cima do pulso esquerdo, que inchou imediatamente. não sou canhoto, mas tenho visto quanta falta faz essa mão durante um apoio pra me levantar ou para vestir uma camisa. enfim, limitações.


5

em algum momento do Ensaio Sobre a Cegueira, os cegos começam a se organizar e adquirir habilidades para superar o fato de não enxergarem. eu, por outro lado, sigo aqui. a mão esquerda parecendo um pão de batata.


ATT, JV

Comments
avatar fabio
Melhoras!!!